INCLUSÃO DIGITAL ÀS AVESSAS

Por: Doriedson Alves de Almeida*


Dentre as muitas missões/obrigações de um professor, encontra-se a de olhar o mundo e os fatos que fazem a história com o olhar aguçado dos críticos, não para fazer a crítica pela crítica, mas para permitir aos seus alunos uma leitura/compreensão do mundo e de seu tempo de uma maneira mais realista. Essas obrigações são redobradas quando tais fatos lhe dizem respeito, afetam seu torrão natal e sua área de pesquisa.


O fato que comentarei nesse breve texto, denomino de uma inclusão digital às avessas, pois trata-se da notícia da inauguração de um posto de serviços dos correios onde um antigo posto telefônico tornado obsoleto pelo avanço da telefonia celular, fato ocorrido na localidade de Ribeirãozinho, antigo distrito de Joeirana, localizado no Município de Ecoporanga, extremo noroeste do Estado do Espírito Santo. Aliás, devo ressaltar que a instalação desse equipamento público na vila de Ribeirãozinho é muito bem vinda e espero que contribua para a melhoria na comunicação dos seus habitantes com o mundo, porém não poderia deixar de registrar a população do lugar merece e anseia mais que isso.


Para esclarecer o leitor sobre o porque denomino tal inauguração de uma espécie de inclusão digital às avessas, problematizarei dois pontos:


a) Em primeiro lugar, a chegada tardia desse serviço para a população local


O serviço de correios na então colônia portuguesa foi criado por um Alvará de 20 de Janeiro de 1798 que instituiu o processo de organização postal dos correios terrestres e estabeleceu a ligação postal marítima regular entre o Brasil e Portugal (Rio de Janeiro e Lisboa, inicialmente). Instalava-se no Rio de Janeiro a administração do correio, que teria funcionado no Paço Real, junto às instalações do Tribunal da Relação e da Casa da Moeda, onde eram distribuídas as cartas que chegavam de Portugal, tendo como primeiro administrador Antônio Rodrigues da Silva. Vejam os senhore(a)s leitor(a)s que os poderes públicos estão um pouco atrasados, levando em consideração a chegada dos correios no Brasil, o serviço público chega à vila de Ribeirãozinho após mais de 200 anos de sua criação e aproximadamente após uns 80 anos depois que os primeiros desbravadores chegassem ao lugar. Ressalto essa morosidade e descaso do Estado e dos gestores públicos brasileiros devido ao fato de que essa regiäo viveu ciclos econömicos importantes, como os de exploração da madeira e o auge da da agropecuária em outros tempos, talvez esse posto fosse mias útil naqueles tempos, a chegada desse importante equipamento público apenas no início de século 21 (mês de julho do ano da graça de 2009), parece-me meio atemporal.


Esse preâmbulo, fazendo breve retrospectiva da implantação dos serviços de correio no Brasil, tem o objetivo de refrescar a memória e informar aos gestores públicos eleitos pelo voto popular sobre outra importante tecnologia para o serviço de troca de mensagens, que está chegando a partir do ano passado a milhares de municípios Brasil afora, como Ecoporanga. Trata-se do serviço de conexão em banda larga à internet, que por sinal também tem correio, chamado popularmente de e-mail. A chegada dessa tecnologia aos municípios é fruto de um acordo entre a ANATEL – Agencia federal de fiscalização dos serviços de comunicação e as operadoras de telefonia, que por não cumprirem o que ficou pactuado durante o processo criminoso de privatização das teles durante o governo tucano do presidente Cardoso, foram obrigadas pelo atual governo a conectarem as escolas públicas (atualmente aproximadamente 30.000 já foram conectadas via linhas ISDN (digitais) em todo Brasil, inclusive as da sede do município de Ecoporanga). Em muitas localidades as teles optaram por estender esses serviços à parcela da população que pode pagar por uma linha digital de conexão à internet, através de uma tecnologia denominda backhauls que fornece uma infra-estrutura local para fornecimento de serviços de telecomunicações. Vale lembrar, que em municípios e localidades onde esses serviços ainda não chegaram, existem ainda outras opções de conexão, como redes sem fio ou via satélite, serviço que também já estava disponível nas escolas da sede de Ecoporanga há aproximadamente dez anos.


Dito isso, gostaria de de sugerir que como forma de compensar esse atraso seria muito bem vindo e aproveitado pela população local, se junto ao posto dos correios fosse instalada também uma sala com computadores e conexão à internet em banda larga ou via satélite para acesso livre, gratuito e irrestrito pelos moradores, isso sim, seria promover insclusão digital e recuperar o atraso e ausência incontestável do Estado no desempenho de suas obrigações junto aos contribuintes.


Alias, lmbro-me que em conversa com o nobre alcaide, Dal Col, logo no inícío de seu mandato, sugeri que os antigos postos telefônicos da antiga TELEST, inaugurados durante o primeiro mandato do saudoso Chico Coletor, fossem transformados em Centros de Convivência e apoio social, contendo os seguintes serviços para a população: telecentros públicos para acesso à internet e inclusão digital; posto dos correios, mini-bibliotecas e sala para cursos e estimulo a atividades culturais e artesanais, inspirado no projeto Casa Brasil do governo federal, fato que implicaria na reformulação, ampliação e adequação física dos antigos postos telefônicos. Na ocasião, ainda envolto com s problemas comuns de início de mandato o prefeito solicitou o projeto no papel, solicitação que atendemos apresentando um lano de trabalho escrito, sugerindo inciar em pelo menos 6 localidades: Ribeirãozinho, Santa Luzia, Prata dos Baianos, Muritiba, Itapeba e Cotaxé a instalação dos centros a partir dos imóveis abandonados dos antigos postos. Os investimentos ficariam em torno de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) de contra-partida pelo município, sendo que a Fundação Éber Teixeira Figueiredo participaria gerenciando o projeto e destinando recursos que havia recebido, através do programa PDC – Pontos de Cultura do Ministério da Cultura.


Na ocasião, o prefeito disse-me que a prefeitura passava por dificuldades em virtude das dívidas deixadas pelo seu antecessor e que seria difícil contratar estagiários para o projeto, até hoje nem eu nem outros membros da Fundação Éber obtiveram parecer e/ou resposta conclusiva sobre o assunto por parte do executivo.


Agora, vejo que a idéia inicial começa a sair do papel com a inauguração do referido posto dos correios nas localidades de Ribeirãozinho e Assentamento Miragem, se aproveitaram alguma coisa da proposta que fizemos ao prefeito, mutilaram a idéia, e, se as ações do governo municipal seguirem o mesmo ritmo dos últimos dois séculos, lá pelo ano de da graça de 2.220 teremos um telecentro e uma biblioteca municipal na vila de Ribeirãozinho, se esses equipamentos ainda existirem e forem necessários, é claro!


    b) A necessidade de tornar público que o descaso do último prefeito e até agora dos atuis gestores com a inclusão digital no município.


Como pesquisador e estudioso da área de tecnologia da informação e educação e, na condição de cidadão que acompanha as ações governamentais brasileiras para Inclusáo digital, inclusive no município de Ecoporanga, devo denunciar o descaso do último prefeito e até aqui (julho de 2009) também do atual. Para tanto, segue breve relato sobre alguns fatos ocorridos nos últimos anos:


As ações relacionadas a informática educativa e Inclusão digital no município foram iniciadas no primeiro mandato do visionário e saudoso prefeito Coletor, tiveram prosseguimento com algumas tentativas de implantação de telecentros feitas pela Fundação Éber com o trabalho incansável do professor Marciano Almeida que conseguiu viabilizar máquinas e recursos através do Banco do Brasil, Ministério da Cultura, etc. Entretanto essas ações foram sempre prejudicada e embargadas pelo descaso dos gestores municipais que se negaram e negam-se até o momento a apoiá-las. Cumpre a nós conhecedores dos esforços que foram feitos, denunciar esse descaso para a população e dizer que agindo assim os governantes e agentes públicos locais prestam um desserviço à população, pois, pois negam aos que mais precisam acesso à informação e cultura. No caso específico da implantação do Ponto de Cultura (em convënico com o minstério da cultura) o ex-prefeito Pedro Costa não cumpriu com a obrigação que assumiu perante os membros da fundação Éber Teixeira, fato que inviabilizou a captação de mais recursos e equipamentos junto ao governo federal pela entidade, que por não ter executado o projeto dos Pontos de Cultura ficou impossibilitada de avançar na captação de outros recursos que estão disponíveis para ações nessa área como: bolsa para estudantes e monitores de telecentros, instalaçao de Pontão de cultura, bibliotecas municipais, entre outras...


Problematizei as questões acima, para denunciar o descaso dos gestores e alertar os gestores municipais como podem efetivamente contribuir com poucos recursos e muita criatividade para melhorar a vida dos munícipes. Esses representantes populares deviam fazer sua mea culpa e contribuir com aqueles que realmente querem realizar ações que promovam mudanças e melhorias, e, não simples engodo para gerar notícia e estampar no site do município a foto de pessoas (vide abaixo) simples como Dona Maria de Chapelém, seu Adão Gato, Seu João Baiano, Seu Antonio, e, sobretudo os jovens e estudantes que poderia tanto se beneficiar do uso de um espaço que service para outros fins além de enviar e receber correspondências, como no século retrasado.



SOBRE O AUTOR

DORIEDISON ALMEIRA
Prof. Dr.- Universidade Federal do Oeste do Pará.

1 comentários:

rbsnalmeida disse...

O pastor Ilton é o mentor da coisa e parece gostar do atraso.

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